Os filhos vêm com ideias novas

Ainda jovem, a família Valentini-Daher já está preocupada com a sucessão e com este objetivo se inscreveu no curso Herdeiros do Campo, promovido pelo Senar e Sindicato Rural Patronal de Londrina.


Renato Dhaer, 53 anos, Cristiana Valentini Daher, 46 e o filho Renato, 22.


“Queremos nos inteirar do assunto, saber como acontece o processo sucessório, a transmissão dos bens, dos serviços, para que o patrimônio não se desintegre com o tempo”, afirma Renato Chible Daher, 53 anos.

Ele participou do curso junto com a esposa Cristiana Valentini Daher, 46, e o filho Renato Valentini Daher, 22. Isabella Valentini Daher, 24, também filha do casal, não participou, mas a ideia é que também fique a par do conteúdo do curso e se envolva nos assuntos da propriedade da família, de 70 alqueires, no município de Londrina.

Renato Daher conta que o filho cursa Agronomia e optou, neste período, por trabalhar numa empresa de insumos agrícolas, para adquirir experiência. Já a filha cursa Letras.

“A intenção é que eu, minha esposa e meus dois filhos formemos uma equipe mesmo, com interação”, planeja.

Hoje a família cultiva grãos, mas a intenção é diversificar. “A propriedade tem alguns espaços ociosos e a ideia é colocar um pouco de gado. Já começamos a implantar, mas estamos engatinhando”, diz.

Para o produtor rural, a integração da família só traz ganhos para os negócios. “Os filhos vêm com ideias novas, estudam os lançamentos. E nós passamos a eles a vivência que temos no campo.”

 

 

Morte é tabu para algumas famílias

 

O Programa Herdeiros do Campo trabalha com três etapas que envolvem família, empresa e patrimônio. O primeiro bloco do programa trata o patrimônio em quatro dimensões, segundo a advogada Marcia Eiras, da área jurídica do curso: o patrimônio em si; como administrar o patrimônio; como se relacionar com este patrimônio e com a família.

Segundo ela, os conflitos que a sucessão pode gerar são de várias ordens, mas há também casos em que a questão patrimonial é extremamente bem resolvida porque já houve um consenso no núcleo familiar.
“Em outras famílias, por exemplo, a questão da morte é um tabu, não se discute a morte, ela não é vista como algo natural que faz parte da vida. Aí se trabalha de uma maneira diferenciada porque há uma resistência em falar sobre isso. Em outras famílias nem é a questão patrimonial ou sucessória, mas a questão emocional do núcleo familiar que precisa ser trabalhada”, afirma a advogada.

Apesar dos conflitos, Marcia Eiras salienta que toda transferência de patrimônio acaba dando certo. “Ou pelo sim ou pelo não, se transfere. Às vezes a família briga anos sem transferir, mas ao final vai ter que dividir e uma hora vai dar certo. A questão do sucesso ou não deste processo está estritamente ligado à questão do planejamento”, comenta.

Se na família não tem ninguém com habilidade ou com interesse de suceder o fundador na gestão familiar, a advogada explica que pode-se pensar em outro modo de resolução. “Pode-se arrendar para continuar rendendo o sustento à família, mas não através do exercício de uma atividade empresarial, no caso agrícola. Ou ainda se houver consenso pode-se vender a propriedade e aplicar o dinheiro no mercado financeiro”, exemplifica.